1. Propriedades dos Minerais e Rochas
Entre as propriedades de um mineral
constituinte de uma determinada rocha algumas
podem ter uma influência directa nas propriedades desta.
Nos minerais, e também nas rochas, as propriedades podem ser vectoriais ou
escalares conforme dependem ou não da direcção em que são medidas ou
observadas.
A dureza, a clivagem, a resistência à compressão são exemplos de
propriedades vectoriais enquanto que o peso volúmico e a porosidade são
propriedades escalares.
As propriedades vectoriais podem ser contínuas (ex. resistência à
compressão) ou descontínuas (ex. clivagem).
Relativamente às propriedades direccionais contínuas, se um mineral ou
rocha apresentar sempre o mesmo valor para uma determinada propriedade
independentemente da direcção em que esta é medida o material diz-se isotrópico
para essa propriedade.
Pelo contrário, se houver uma direcção em que a propriedade apresenta um
valor máximo e outra em que o valor observado é mínimo o material diz-se
anisotrópico.
Além das propriedades dos minerais referidas em seguida existem outras que
não têm um interesse e influência directa na Engenharia Civil (características
de luminosidade, eléctricas e magnéticas por exemplo).
2.1.2. Forma
Cristalina
A maior parte dos minerais não exibe uma forma cristalina, para o mineral
quartzo, que reflecte externamente o arranjo interno dos átomos constituintes.
A razão é porque a maior parte dos cristais forma-se num espaço sem as condições
óptimas necessárias para o crescimento destes resultando num aglomerado sem uma
geometria definida embora a matéria continue a ser toda cristalina.
2.1.3 Cor
A cor é uma propriedade óbvia de um mineral mas não é muito adequada à sua
identificação. Alguns minerais podem apresentar cores variadas resultantes da
inclusão de impurezas na sua estrutura cristalina. O quartzo apresenta cores
que vão deste o branco ao negro, passando pelo verde, rosado e púrpura. Outros
minerais apresentam uma cor que não varia significativamente. Os minerais de
brilho metálico, por exemplo, apresentam na sua grande generalidade, cores
constantes e definidas, facilitando a sua identificação. A cor de um mineral
deve ser observada numa superfície recente, uma vez que pode sofrer alterações.
2.1.4 Risca
A risca ou traço de um mineral é a cor do pó desse mineral. Enquanto a cor
dum mineral pode variar o mesmo já não acontece tão frequentemente com a cor do
seu pó pelo que esta pode ser utilizada como característica de identificação.
Minerais que macroscopicamente apresentam cores idênticas podem apresentar
cores de traço absolutamente distintas, pelo que podem ser diferenciados
através desta propriedade.
De um modo geral, os minerais de brilho metálico ou submetálico produzem
traços pretos ou de cor escura enquanto que os minerais de brilho não-metálico
produzem traços incolores ou de cores claras.
2.1.5 Brilho
Define-se o brilho como a aparência ou qualidade da luz reflectida pela
superfície do mineral.
Consideram-se três tipos fundamentais de brilho:
·
Brilho metálico −
característico dos minerais opacos, ou quase opacos, e que têm a aparência brilhante
de um metal; as superfícies destes minerais são bastante reflectoras;
·
Brilho não-metálico − característico de substâncias transparentes ou translúcidas e sem a aparência
brilhante de um metal; no brilho não-metálico incluem-se, entre outros, os
seguintes tipos de brilho: vítreo, resinoso, nacarado e gorduroso.
2.1.6 Clivagem
A ruptura de alguns minerais ocorre, preferencialmente, segundo superfícies
planas e brilhantes.
A esta propriedade dá-se o nome de clivagem e aos planos, segundo os quais
ela ocorre, planos de clivagem. Estes correspondem a planos de fraqueza na
estrutura cristalina desses minerais, ou seja, correspondem a planos
reticulares entre os quais as forças de ligação são fracas.
2.1.7 Fractura
Designa-se por fractura ao modo pelo qual um mineral se rompe quando a
ruptura não ocorre ao longo de superfícies de clivagem. As superfícies de
fractura não correspondem, ao contrário das superfícies de clivagem, a planos
reticulares da estrutura do mineral, mas sim a superfícies que os intersectam e
segundo as quais as ligações químicas são mais fracas.
2.1.8 Dureza
A dureza é uma propriedade importante dos minerais uma vez que cada mineral
apresenta valores característicos, facilmente determináveis. Podemos definir
dureza como sendo a resistência que um mineral oferece ao ser riscado por outro
ou por um objecto. A dureza também depende da estrutura interna do cristal (tal
como as outras propriedades físicas), isto é, quanto mais fortes forem as ligações
químicas mais duro é o mineral. A dureza é uma propriedade geologicamente
importante uma vez que traduz a facilidade ou dificuldade com que um mineral se
desgasta quando submetido à acção abrasiva da água, do vento e do gelo nos
processos de erosão e transporte.
Em 1822, Friedrich Mohs, um mineralogista alemão, imaginou uma escala de
dureza baseada na capacidade de um mineral riscar outro. A escala de Mohs,
composta por dez minerais de
dureza conhecida, permite determinar a dureza relativa de um mineral,
mediante a facilidade ou dificuldade com que é riscado por outro.
2.1.9 Peso
volúmico e densidade
A densidade relativa indica quantas vezes um material é mais pesado do que
um igual volume de água a 4º C. Se um mineral tem densidade relativa 2, isto
significa que ele pesa duas vezes mais que o mesmo volume de água. O peso
volúmico ou peso específico (ver exemplos para minerais na define-se como o
peso por unidade de volume e será referido adiante com mais detalhe como
propriedade das rochas.
2.3 O ciclo
das rochas
As rochas estão todas envolvidas num ciclo de transformação que se pode
repetir indefinidamente. O ciclo das rochas é um meio de visualizar a origem
dos três tipos básicos de rochas e o modo como os vários processos geológicos
transformam um tipo de rocha noutro diferente. O conceito do ciclo das rochas
pode ser considerado como a base da geologia física.
A Escala de Mohs.
Mineral Dureza:
Talco 1
Gesso 2
Calcite 3
Fluorite 4
Apatite 5
Felspato 6
Quartzo 7
Topázio 8
Corindo 9
Diamante 10
Mineral
(kN/m3)
Biotite
27,5-31,4
Calcite 26,7
Caulinite 25,5
Feldspato 25,0-27,1
Gesso 22,8
Halite 21,2
Hematite 51,6
Moscovite 27,1-28,2
Pirite 49,2
Rocha Ígnea
Rocha
Metamórfica
Sedimentos
Rocha
Sedimentar Pressão e temperatura Arrefecimento e solidificação Fusão Erosão,
transporte e deposição Erosão, transporte e deposição Erosão, Transporte e
deposição Pressão e temperatura Cimentação e compactação (litificação).
2.3.1.MAGMA
O primeiro tipo de rochas, designadas como ígneas (formadas pelo fogo),
origina-se quando um material no estado líquido chamado magma arrefece e
solidifica. Este processo chamado cristalização pode ocorrer muito abaixo da
superfície da terra ou, no seguimento de uma erupção vulcânica, à superfície
desta. Em profundidade o arrefecimento é normalmente lento enquanto que à
superfície é rápido. As rochas ígneas resultantes têm assim características
diferentes.
Quando as rochas ígneas ficam expostas à superfície da terra podem sofrer
processos de alteração e erosão que vão lentamente desagregando e decompondo as
rochas. Os materiais resultantes podem ser transportados por vários meios
(gravidade, água, glaciares, vento e ondas) constituindo os sedimentos.
A partir do momento em que são depositados, normalmente em camadas
horizontais (no oceano, por exemplo), irão sofrer um processo de litificação
(conversão para rocha). Os sedimentos são litificados pela compactação
resultante do peso das camadas superiores e pela cimentação resultante da
precipitação de matéria mineral transportada pela água de percolação que
preenche os poros.
As rochas sedimentares resultantes encontram-se assim profundamente
enterradas podendo ser envolvidas em processos tectónicos de formação de
montanhas ou ser submetidas a grandes pressões e temperaturas.
As rochas sedimentares irão sofrer
as consequências da sua alteração de
ambiente e transformar-se em outros tipos de rochas (rochas metamórficas).
Eventualmente as rochas metamórficas poderão ser submetidas a pressões e
temperaturas ainda maiores, fundindo e constituindo outra vez magma fechando,
assim, o ciclo das rochas.
O percurso indicado pelo círculo não é necessariamente o percurso seguido
na transformação das rochas em tipos diferentes.
As rochas ígneas, antes de serem expostas a processos de erosão e alteração
à superfície, podem ser submetidas a pressões e temperaturas em profundidades
maiores e transformar-se em rochas metamórficas.
Por outro lado, rochas metamórficas e sedimentares podem ser expostas à
superfície a processos de erosão e transformar-se em sedimentos de onde podem resultar
novas rochas sedimentares.
Ao estudar as características dos três tipos de rochas é importante ter
sempre em consideração o ciclo das rochas. Estas podem parecer que são grandes
massas imutáveis quando na realidade não o são. As modificações demoram
geralmente períodos de tempo que ultrapassam na maior parte dos casos a escala
humana de tempo.
2.4 Rochas
ígneas
As rochas ígneas formam-se quando o magma arrefece e cristaliza. Esta rocha
fundida, com origem a profundidades até 200 km no interior da Terra, compõe-se
de elementos encontrados nos minerais do tipo silicatos e de alguns gases,
sobretudo vapor de água, todos confinados no magma pela pressão das rochas
confinantes. Como a massa magmática é menos densa que os maciços de rochas circundantes
força o seu movimento em direcção à superfície podendo escapar-se de modo
violento produzindo uma erupção vulcânica .
O material expelido durante uma erupção vulcânica pode ser acompanhado pela
libertação de gases devido à diminuição de pressão à superfície originando
explosões por vezes muito violentas. Acompanhando a projecção de blocos
rochosos a erupção pode gerar o derrame de grandes quantidades de lava, cuja
composição é semelhante à do magma mas sem a maior parte dos componentes
gasosos.
A rocha resultante da solidificação da lava é classificada como extrusiva
ou vulcânica, sendo o basalto o exemplo mais conhecido.
Quando o magma não alcança a
superfície pode eventualmente solidificar e cristalizar em profundidade, num
processo bastante mais lento formando uma massa sólida de cristais imbricados
entre si.
As rochas ígneas produzidas deste modo são chamadas intrusivas ou plutónicas,
das quais o granito é o exemplo mais abundante , e só aparecem à superfície após
a actuação de movimentos tectónicos e a acção de processos de erosão das
camadas de rochas superiores.
Quando a solidificação do magma se verifica em profundidades intermédias, formando
filões, as rochas resultantes designam-se por hipoabissais (exemplo do
dolerito).
A velocidade do arrefecimento do magma vai originar cristais de diferentes
tamanhos.
Um arrefecimento lento produz cristais de grandes dimensões enquanto que um
arrefecimento rápido irá originar uma massa rochosa formada por cristais de
pequenas dimensões, por vezes impossíveis de observar sem meios de ampliação.
Quando o arrefecimento é
extremamente rápido não há formação de cristais formando-se uma matéria sólida
sem estrutura cristalina (matéria amorfa).
2.4.1 Textura
e composição mineral
Existe uma grande variedade de rochas ígneas que se diferenciam com base na
sua textura e composição mineral. O termo textura, quando aplicado a rocha
ígneas, é usado para descrever a aparência geral da rocha com base no tamanho e
disposição dos seus cristais interligados.
A textura é uma característica muito
importante da rocha porque pode revelar informação qualitativa importante sobre
o ambiente em que a rocha foi formada e sobre as suas propriedades, como por
exemplo, a resistência e deformabilidade.
Quando grandes massas de magma solidificam a grande profundidade formam-se
rochas ígneas com uma textura de grãos grossos.
A sua aparência é de um agregado de cristais interligados com tamanho
suficiente para serem identificados individualmente por simples observação (textura
fanerítica).
As rochas ígneas formadas à superfície ou em pequenas bolsas magmáticas a pouca
profundidade têm um arrefecimento rápido originando uma textura de grãos finos
por vezes impossíveis de diferenciar sem recorrer a observação microscópica
(textura afanítica e Para ter uma ideia
das diferentes velocidades de arrefecimento do magma, uma rocha vulcânica pode formar-se
em alguns minutos enquanto que uma rocha plutónica pode resultar do
arrefecimento de uma grande massa de magma durante milhares de anos.
Nem todos os minerais componentes do magma cristalizam à mesma velocidade.
Alguns podem já ter um certo tamanho quando outros iniciam a sua cristalização.
Por exemplo quando o magma aflora à superfície pode já conter alguns cristais
levando assim a massa ainda líquida a arrefecer mais rapidamente originando uma
rocha com uma textura particular de cristais grandes envolvidos por uma matriz
de cristais mais pequenos (textura porfirítica).
2.4.2
Classificação das rochas ígneas
As rochas ígneas são classificadas, ou agrupadas, com base na sua textura e
composição mineral. As várias texturas ígneas resultam dos diferentes padrões
de arrefecimento enquanto que a composição mineral de uma rocha ígnea depende
dos componentes do magma inicial e do ambiente de cristalização.
As rochas são compostas por determinados minerais cuja cristalização se dá
em primeiro lugar. O seu alto conteúdo
em ferro e magnésio faz com que tenham uma cor escura e uma maior densidade que
outras rochas. O basalto é a rocha ígnea extrusiva mais comum.
As ilhas dos Açores, com excepção de Santa Maria, são todas constituídas
principalmente por
Basaltos , estão as rochas ígneas com minerais que são os últimos a cristalizar.
O granito é a rocha ígnea intrusiva
mais comum, em parte pela sua abundância e pelo seu uso generalizado na
construção e decoração.
O granito está geralmente associado aos processos tectónicos ligados à
formação de montanhas. Por ser mais resistente à erosão e alteração que as outras
rochas forma frequentemente o núcleo principal das cadeias montanhosas. É
importante notar que duas rochas podem ter a mesma composição mineral mas
texturas diferentes.
O granito, rocha intrusiva de grão grosso, tem o seu equivalente vulcânico
no riolito, rocha de grão muito fino. Existe uma grande variedade de rochas
entre as de composição granítica e basáltica, das quais se referem alguns
exemplos.
a)Rochas ígneas mais comuns:
Félsico, (granítico), Intermédio, (andesítico), Máfico, (basáltico) ,Ultramáfico,
Intrusivo, (grão grosso) ,Extrusivo, (grão fino) ,Granito, Riolito , Diorito, Andesito
,Gabro ,Basalto, Peridotito
—
b) Composição Mineral:
-Quartzo
-Feldspato potássico
-Feldspato sódico
-Hornblenda
-Feldspato sódico
-Feldspato cálcico
-Feldspato cálcico
-Piroxena
-Olivina
Piroxena
c) Componentes Minerais
Secundários:
-Moscovite
-Biotite
-Hornblenda
-Biotite
-Piroxena
-Olivina
-Hornblenda
-Feldspato cálcico
Notas:
Félsico – grupo de
minerais de cor clara; o nome vem de feldspato, feldspatóide e sílica;
Máfico – com minerais
ferromagnesianos de cor escura; biotite, piroxena, hornblenda.
2.5 Rochas
sedimentares
Os materiais resultantes dos processos erosivos constituem a base para a
formação das rochas
sedimentares. A palavra sedimentar ilustra a natureza destas rochas uma vez
que significa o
resultado do processo de deposição dos sedimentos em suspensão ou
transportados por um fluido, normalmente a água. Os geólogos estimam que as
rochas sedimentares constituem apenas 5% da camada exterior de 16 km de
espessura da Terra. No entanto a importância deste grupo de rochas é muito
maior do que aquela que esta percentagem poderia indicar.
A maioria de formações rochosas à superfície são de natureza sedimentar
(cerca de 75%) o que está relacionado com o facto de os sedimentos se
acumularem à superfície da terra .
Como as rochas sedimentares têm a sua origem na deposição sucessiva de
camadas horizontais de sedimentos apresentam-se normalmente em estratos cuja
inclinação varia consoante a acção de movimentos tectónicos ao longo da vida
geológica das formações.
É de referir que muitas rochas sedimentares têm uma grande importância
económica. O carvão, por exemplo, é classificado como uma rocha sedimentar. O
petróleo e o gás natural são também encontrados em associação com outras rochas
sedimentares tais como por exemplo o sal-gema.
2.5.1 Litificação
A litificação inclui os processos que transformam sedimentos não
consolidados em rochas
sedimentares sólidas.
Um dos processos mais comuns é a
compactação, ou seja a acção do peso das camadas de sedimentos suprajacentes. À medida que os sedimentos são comprimidos
pelo peso das camadas superiores há uma redução considerável do volume dos
poros.
Com o peso de milhares de metros de outras camadas a actuar durante
milhares de anos originam-se as rochas sedimentares dispostas em estratos
originariamente horizontais.
A compactação tem um efeito maior sobre sedimentos de partículas finas como
as argilas originando, por exemplo, os xistos argilosos.
Alguns maciços de rochas sedimentares podem apresentar estratificação
entrecruzada resultante de períodos de sedimentação espaçados no tempo e de
acidentes tectónicos (ex. falhas) .
A cimentação constitui outro processo importante através do qual os
sedimentos se transformam em rochas sedimentares. O material de cimentação pode
ser transportado pela percolação de água através dos poros existentes entre as
partículas dos sedimentos.
Com o tempo, o cimento vai precipitando sobre os grãos preenchendo os
vazios e criando ligações físicas entre as partículas.
Calcite, sílica e óxido de ferro são alguns dos cimentos mais comuns. A identificação
do tipo de cimento é relativamente fácil de fazer: a calcite reage com o ácido
clorídrico, a sílica é o cimento mais duro e o óxido de ferro confere uma cor
alaranjada ou vermelha à rocha.
2.5.2
Classificação das rochas sedimentares
Os materiais que se acumulam como sedimentos têm duas origens principais.
Os sedimentos podem ser acumulações de materiais resultantes dos processos
erosivos e transportados na forma de partículas. As rochas sedimentares são
neste caso chamadas de detríticas.
O segundo grande grupo de origem dos sedimentos corresponde aos materiais
produzidos por precipitação química, de origem inorgânica ou orgânica. São as
chamadas rochas sedimentares químicas.
2.5.2.1 Rochas
sedimentares detríticas
Embora exista uma grande variedade de minerais e fragmentos de rochas na
composição das rochas detríticas os principais componentes são minerais de
argila e quartzo. Os minerais de argila são o produto mais abundante resultante
da alteração dos minerais do grupo dos silicatos, especialmente os feldspatos.
Por outro lado o quartzo deve a sua
grande abundância ao facto de ser muito resistente, tanto do ponto de vista
mecânico como químico.
O tamanho das partículas é a característica principal que permite
distinguir os vários tipos de rochas sedimentares detríticas.
O tamanho das partículas de uma rocha detrítica pode ser usualmente
correlacionado com a energia do meio de transporte dos sedimentos.
As correntes de água e vento
distribuem as partículas por tamanhos: quanto maior for a força da corrente
maior será o tamanho das partículas. Os cascalhos são transportados por
correntes de rios, ondas, deslizamentos de terrenos e glaciares.
Uma menor energia é necessária para transportar as areias, nomeadamente
correntes de água com menor velocidade e ventos (formação de dunas).
Os siltes e areias depositam-se de modo lento e as acumulações destes
materiais estão normalmente associadas com águas paradas de lagos, lagoas, pântanos
e ambientes marinhos profundos.
Em contraste com as rochas detríticas, formadas a partir de grãos sólidos
resultantes da erosão e alteração de rochas, os sedimentos de origem química
resultam de materiais que são transportados em solução até lagos e mares.
Estes materiais não permanecem em
solução na água indefinidamente e acabam por sofrer uma precipitação
depositando-se em sedimentos. Esta precipitação pode ter uma origem inorgânica
mas também pode ser o resultado de processos orgânicos.
Um exemplo de um depósito resultante de uma acção inorgânica é o sal após a
evaporação da água marinha originando posteriormente o sal-gema (por exemplo).
A acumulação de conchas, por vezes microscópicas, de animais é um exemplo
de origem orgânica de sedimentos. O calcário é a rocha sedimentar química mais
comum. É composta essencialmente pelo mineral calcite e pode ser formada por
processos tanto inorgânicos como orgânicos, sendo estes últimos os mais comuns.
A origem orgânica da maior parte dos calcários pode não ser tão evidente
porque a maior parte das conchas sofre processos consideráveis de transformação
antes de se constituírem em rochas.
2.6 Rochas
metamórficas
Grandes áreas de rochas metamórficas estão expostas em todos os continentes
em regiões
relativamente planas conhecidas por escudos. Outras formações de rochas
metamórficas constituem uma parte importante de muitas cadeias de montanhas.
Mesmo o interior estável continental, geralmente coberto por rochas
sedimentares, tem como base rochas metamórficas.
Em todas estas formações as rochas metamórficas apresentam-se geralmente
muito deformadas e com penetração de grandes massas ígneas (exemplo dos
batólitos, principal formação dos granitos).
De facto, partes significativas da
crusta terrestre são compostas por rochas metamórficas associadas com rochas ígneas.
O metamorfismo (mudança de forma) constitui a transformação de uma rocha
preexistente, que pode ser ígnea, sedimentar ou mesmo metamórfica .
Os agentes de transformação ou de metamorfismo incluem o calor, pressão e
fluidos quimicamente activos, que produzem modificações de textura e composição
mineral.
O metamorfismo pode ocorrer com um
grau de baixa intensidade fazendo com que por vezes seja difícil distinguir a
rocha original da final.
Noutros casos a transformação é tão intensa que não é possível identificar
a rocha de origem.
No metamorfismo de grau elevado, características estruturais tais como
planos de estratificação, fósseis e espaços vazios vesiculares, que poderiam
existir na rocha original são completamente destruídas.
Quando as rochas são submetidas a acções intensas de calor e pressão
direccional comportam-se de modo plástico donde resultam dobras por vezes de
aspecto intrincado .
É importante referir que durante os processos de metamorfismo de grau
elevado a rocha mantém-se sempre no estado sólido porque uma vez atingida a
fusão desta entra-se num processo de natureza ígnea.
O processo de metamorfismo inicia-se quando uma rocha é submetida a
condições diferentes
daquelas em que se formou originalmente. A rocha começa então a sofrer
transformações até atingir um estado de equilíbrio com o novo ambiente. Estas modificações ocorrem a profundidades a
partir de alguns quilómetros até próximo da fronteira entre a crusta e o manto.
A formação de rochas metamórficas ocorre
em zonas completamente inacessíveis ao contrário de muitas rochas sedimentares
e algumas ígneas, donde resulta o seu estudo ser mais difícil.
O metamorfismo pode ser de três tipos: o metamorfismo regional ocorre na
formação de cadeias de montanhas quando grandes quantidades de rochas são
submetidas a tensões de elevada intensidade e altas temperaturas associadas com
os grandes níveis de deformação; o metamorfismo de contacto sucede quando a
rocha fica perto ou em contacto com uma massa de magma, onde as altas temperaturas
são a causa primária das transformações das rochas encaixantes; finalmente o metamorfismo
dinâmico ou cataclástico ocorre quando a rocha é submetida pressões muito
elevadas e bruscas como por exemplo em zonas de falhas.
2.6.1 Agentes
de Metamorfismo
O agente de metamorfismo mais importante é, talvez, o calor. As rochas que
se formam perto da superfície são submetidas a calor intenso quando uma massa
de rocha derretida as atravessa num movimento ascendente. Também pode ocorrer a
situação de determinadas rochas formadas num ambiente superficial sejam
obrigadas a localizar-se posteriormente a profundidades muito maiores onde as
temperaturas são substancialmente superiores.
Alguns minerais, tais como os argilosos, tornam-se instáveis quando estão
enterrados a temperaturas de alguns quilómetros começando a recristalizar-se
dando origem a novos minerais. Os minerais componentes das rochas ígneas são estáveis
a temperaturas e pressões relativamente altas sendo, por isso, necessárias
profundidades superiores a 20 km ou mais para que o metamorfismo possa ocorrer.
A pressão, tal como a temperatura,
também aumenta com a profundidade. Todas as rochas enterradas são submetidas à
acção do peso das camadas superiores. As formações rochosas também são submetidas
a pressões resultantes dos processos de formação das cadeias montanhosas.
Neste caso a pressão é direccional fazendo com que a estrutura da rocha
adquira formas características visíveis, como por exemplo nos planos de
xistosidade dos gnaisses e das ardósias. A água contendo iões em solução é o
fluido quimicamente activo mais comum que tem influência no metamorfismo.
As rochas contêm geralmente água nos espaços porosos e esta funciona como catalisador
na migração dos iões. Em certas circunstâncias os minerais podem recristalizar
em configurações mais estáveis e, noutros casos, a troca de iões entre minerais
através da água pode resultar na formação de minerais completamente novos.
2.6.2
Modificação de textura e composição mineralógica
O grau de metamorfismo é reflectido na composição mineralógica da rocha e
na sua textura .
Quando as rochas são submetidas a metamorfismo de baixo grau tornam-se mais
compactas
logo mais densas. Rocha de grão muito fino composta por grãos microscópicos
de micas;
resultante do metamorfismo de grau baixo do argilito e xisto argiloso.
Xisto:
Rocha metamórfica mais comum composta em grande parte por partículas
visíveis; pode resultar também do metamorfismo do argilito e xisto argiloso mas
com grau mais intenso.
Textura foliada.
Gneisse:
Na maior parte dos casos com a composição do granito; a característica principal
é o aspecto de bandas muito dobradas de cores alternadas escuras e claras.
Mármore:
Resultado do metamorfismo do calcário; apresenta grandes cristais de calcite
imbricados entre si; as colorações que apresenta para além do branco resultam
da presença Textura de impurezas não foliada.
Quartzito:
Rocha metamórfica comum formada a partir do arenito quartzoso; o aspecto
pode ser semelhante ao mármore mas apresenta uma dureza muito maior.
Debaixo das pressões de metamorfismo, alguns grãos de minerais são
reorientados e realinhadosperpendicularmente à direcção das tensões actuantes ,
No entanto, nem todas as rochas metamórficas que sofreram a acção de pressões orientadas têm uma estrutura foliada.
Nestas rochas a pressão tem uma
acção muito limitada como agente de metamorfismo. Por exemplo, quando um
calcário de grão fino sofre um metamorfismo, os pequenos cristais de calcite
combinam-se para formar cristais imbricados relativamente grandes.
A rocha resultante tem uma aparência similar a
uma rocha ígnea de grão grosso. Este
equivalente metamórfico do calcário é chamado mármore. Em resumo, os processos
metamórficos provocam muitas modificações
nas rochas, incluindo aumento da
densidade, crescimento de cristais grandes, reorientação dos grãos minerais podendo resultar numa aparência de
bandas conhecida como foliação ou
xistosidade.
A foliação é uma propriedade
que as rochas apresentam que se manifesta pela facilidade de se fracturarem
segundo planos mais ou menos paralelos.
Esta propriedade resulta, em muitos casos, de um alinhamento de minerais
que possuem uma clivagem predominante segundo uma dada direcção.
Xistosidade é um tipo
de foliação. Neste caso esta é originada pela presença de grande quantidade de micas
que estão orientadas na rocha.
Lineação é uma propriedade
das rochas apresentarem linhas ou traços que resultam do alinhamento de
minerais prismáticos (em muitos casos).
